Abro a janela e ouço o respirar do mundo, o bater de asas, o fugir de pensamentos. Fecho os olhos para ouvir melhor, para ver melhor, para me ver melhor.
Acordo numa cama que já não é a minha, choro num canto que já não é o meu. Isto não me pertence, deixei-me consumir pela imensidão de um nada. Magoa, saber. Magoa mais, não saber. Inunda-me a simplicidade de carácter, o olhar cru em luzes densas, o beijo perdido em olhos de outrora. Perdi. Perdi-me. E teimo em não querer encontrar-me. Encontrar-nos. Porque assim tem de ser. Como o respirar do mundo quer, não como quer o beijo perdido, não como querem os teus olhos.