20080628

Em papéis de um dia qualquer:
Talvez a minha dor surja demasiadamente intensa ao temível ponto de se apoderar de mim e fazer com que não a sinta.
O tempo é tão tamanhamente asfixiante que nem a sua dimensão consigo traduzir para vocábulos.
A minha genialidade encontra-se num elevado grau de ausência, se é a existência de graus de ausência possível, sequer.
As minhas lágrimas choram-me.
Existirá beleza nisso?
O nosso tempo está a ir-se.
Apanhaste o comboio dos sonhos.
A minha mente fútil não me acompanha.
s/d
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Magoa-me mais saber que há chuva lá fora e não poder sair à rua do que não sair em dias de sol radiante.
Dói tanto pensar quanto sentir. E ainda dói mais pensar que sentimos.
Os pássaros que voem bem alto. E que não voltem.

O desejo passeia-se subtilmente pelos corredores. É o desejo de que deixe de existir um corredor, com entrada, saída, chão, paredes de ambos os lados e pessoas pelo meio. Pessoas, como quem diz...falsos sentimentos e desejos irrelevantes de que nada servirão à vida e à falta dela. Mais vale desistir.
É cruel pensar. Como é hostil o Universo...
Como é repugnante a nossa pele. Mais vale lavar e beber a água suja. Beber as mágoas, com mágoa, em água. Dissolver em água a mágoa, beber sem hesitar. Algo melhor?
Não riscasse eu o papel desta maneira, não fosse eu magoada desta forma.
s/d