Amo pensar em ti. Imaginar-me no meio dos teus gritos, braços, cabelos. Questionar-me sobre o que sou para te merecer assim, tanto e tão pouco. Eu não posso. Não vou deixar-me levar pelo calor dos teus lábios. Vou construir a muralha e esperar pela guerra. Proteger-me e esperar ser atacada. Depois, defender-me com tudo o que tenho, para que nada entre em mim. Vou deitar fogo a tudo o que é teu. Queimar os teus sorrisos, os teus abraços, as tuas preocupações para comigo, as tuas cartas de amor, os teus beijos quentes, carinhosos, fulgurantes. Vou queimar tudo, e nada nem ninguém me irá impedir. Só espero que o coração não ceda a este cérebro crédulo e ingénuo que constrói castelos de cartas muito baixas, e que eu não me desmorone sozinha. Tenho um pavor eterno a cair em ti. És viciante. Criei uma profunda obsessão sem saber porquê. Tento não me afogar no rio caudaloso das sensações que deixaste em mim. Que fogo, que ardor, que castigo é para mim: ter-te aos poucos e não o querer por saber que morro por isso. Que mágoa, remorso, que ciúme dos que te têm na tua totalidade. Que raiva, que fúria interminável! Que ódio incontornável! Que nervos, que histeria, que capricho o meu de possuir o forte, o determinado, a força, a emoção, tudo para mim! Eu quero tudo para mim, nada para os outros! Que perseguição que te faço nos meus sonhos! Que impertinência, que despropósito! Que pesar, que tristeza, que amargura! Que angústia! Desgosto! Aperto! Aversão! Agonia! Consternação! Nojo! Dor! Mas eu vou conseguir. Eu vou queimar o mundo.