20080906

Acordei mais uma vez neste sofá. Bateu à porta a madrugada, vestida de ares cinzentos e com voz de chuva quase torrencial. A mim doía-me a garganta, um pouco mais do que dói agora. Levantei-me sem esfregar os olhos, arrastei comigo a manta verde que me tem servido de companhia e fui até ao escritório espreitar o rio caudaloso que passeava na rua. Pensei em nós, voltei a arrastar-me e adormeci, desta vez na cama, com uma martelada inexplicável de realidade ao meu lado, abraçada a mim.