A lua voa baixo, quase perfeita. Eu voo alto, embebida nas minhas imperfeições e desalentos, à espera de um abraço mais claro que me faça acreditar na plenitude das coisas... Refugio-me no pensar de desejos e satisfações proibidas, no bater-me da seta no peito, furiosa e sem aviso prévio... Eu voo alto, embebida nisto. O que vale é que é noite - só paira a Lua - e há terra firme por baixo dos nossos corpos. Não fossemos nós uno Ícaro das Paixões, queimássemos as asas e caíssemos onde não pertencemos, em tentações e pecados imaterializáveis.